segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Texto sobre a comunidade de Pitingal

Este texto foi produzido e editado, baseado nas entrevistas realizadas, pelos alunos do 3º ano turma 32, sob a coordenação da professora Saionara Carlotto da Silva
COMUNIDADE SÃO MIGUEL
PITINGAL, PASSA SETE – RS

A comunidade teve seu início por volta do ano de 1900. Com a chegada dos imigrantes alemães em 1909, deu-se início a vida religiosa com a chegada de Jacó Rech Filho e sua família e mais dois irmãos: Bernardo e Guilherme Rech.
Nesta época, aconteceu um grande temporal e derrubou um grande número de pinheiros. Então Frederico Decker, dono de uma grande extensão de terras, convidou Jacó, que possuía um engenho, para vir serrar as madeiras a meia, Jacó aceitou o negócio e transferiu seu engenho para cá, instalando-se próximo onde hoje está localizado o engenho Paulus. Nesta época engenhos e moinhos eram as indústrias da região.
As primeiras missas foram rezadas por volta do ano de 1910 pelo padre Guilherme Müller. Quando passava por aqui para rezar missas em Arroio do Tigre, o padre pernoitava na casa de seu amigo Jacó e rezava a missa em sua casa e batizava as crianças. Nesta época já havia várias famílias que se reuniam para rezar.
As missas eram rezadas em latim e os capelões ensinavam os coroinhas a dar as respostas ao padre. O povo só assistia a missa e rezava durante este tempo o terço, cada um rezava para si e de sua maneira.
Com o passar do tempo surge à idéia de construir uma igreja. Então Frederico Decker, dono das terras, doou uma área de 3,5 hectares de terras para a construção da igreja, local esse onde hoje se encontra a atual igreja, o cemitério, o salão e o campo de futebol.
Mais tarde José Rech, filho mais velho de Jacó, doou mais 9,5 hectares de terras para a comunidade, onde hoje está construída a escola, o ginásio de esportes, o posto de saúde e área aberta.
Em 16 de março de 1914, o Bispo de Santa Maria: Dom Miguel de Lima Valverde, abençoou a primeira capela, tendo como padroeiro o Arcanjo São Miguel. O nome São Miguel foi escolhido para defender as famílias do mal e dos perigos que enfrentavam. Nesta época a localidade era conhecida com o nome de Três Pinheiros Decker – Sobradinho.
Com o passar dos anos, mudou o nome para Pitingal. Pitingal é nome de origem indígena que vem do nome Pitinga do Tupi-guarani “pé tinga”, (pé = casca e tinga = branca).
Refere-se a uma gramínea semelhante à taquara, porém muito mais fina e tenra, de colmos longos e salpicados de manchinhas pardas. É uma excelente forragem e muito apreciada por antas e veados.
Nesta época não tinham catequistas e nem escolas, os pais ensinavam os filhos a rezar e os demais conhecimentos da fé tudo oral. O padre quando rezava a missa, tomava a lição, quem sabia tudo passava a primeira comunhão.
Com a chegada de mais moradores aparecia algum professor que dava aula nas casas. Com o aumento da população, a comunidade construiu uma escola comunitária, sendo o seu primeiro professor Henrique Putin, que ensinava na língua alemã. Já os brasileiros não podiam frequentar essa escola, por isso havia uma segunda escola para eles.
Em 1928 foi realizada a ampliação da capela, que muitos a chamaram de segunda capela, que teve em sua torre o lindo formato de cebola essa capela durou mais 32 anos, sendo então no ano de 1960, substituída pela atual capela que demorou dois anos para ser construída.
Em 1929 foi construída a primeira escola municipal, onde hoje está localizada a casa de Nelson Puntel.
Em 1947 a escola deixou de ser comunitária e passou a ser municipal, onde a primeira diretora foi Maria Lucia Rech. Nesta época a escola comunitária era chamada de São José e após se tornar municipal passou a ser chamada de Escola José Rech, nome esse que permanece até hoje. Já em 1962 a segunda diretora foi à professora Maria Naíria Morsch.
Os entrevistados ressaltaram também que a primeira tribo indígena que habitou este local foram os Tupi-Guarani, pois ali havia terras férteis e caças abundantes.

Dados obtidos através de entrevistas com a senhora Maria Naíria Morsch e o senhor Osvaldo Rech.

Fotos do Projeto Resgates Culturais da Comunidade onde a escola está inserida

Fotos do Projeto Resgates Culturais da Comunidade onde a escola está inserida, desenvolvido pela turma 32 do 3º ano do ensino fundamental de nove anos, com a orientação dos professores Alisson Marcelo Michel e Saionara Carlotto da Silva. Projeto integrante da disciplina de Sala de Aula e TICs do curso de Pós-Graduação em Tecnologias da Informação e Comunicação Aplicadas a Educação da UFSM.